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Allyson sai melhor nas redes, mas agora o jogo é outro

A campanha eleitoral entra nesta sexta-feira em uma nova fase, com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Até aqui, Instagram, TikTok e outras plataformas digitais dominaram a comunicação dos candidatos e estabeleceram uma disputa pela atenção do eleitor baseada em vídeos curtos, música, humor, memes, cenas de rua e personagens políticos.

Entre os quatro principais candidatos, Allyson Bezerra é quem construiu até aqui a identidade digital mais reconhecível. O candidato do União trabalha há meses uma imagem associada a movimento, juventude, proximidade e presença física. Antes mesmo da campanha oficial, percorreu os 167 municípios do Estado produzindo vídeos para as redes.

O “passinho do 44” é o exemplo mais recente dessa estratégia. Reproduzido pelo candidato e por apoiadores, transforma o número da candidatura em elemento visual e sonoro. Quando outras pessoas repetem a coreografia e publicam o conteúdo em seus próprios perfis, a campanha deixa de depender apenas da conta oficial do candidato.

O mesmo princípio aparece em outros elementos da comunicação de Allyson. A bandeira do Rio Grande do Norte usada no começo da pré-campanha (depois adotada também pelos adversários), as imagens produzidas nos municípios e o chapéu de vaqueiro, já usado em outras campanhas, funcionam como identificadores imediatos. O candidato também explora cenas de movimento, como corridas durante caminhadas e gestos de força, produzindo imagens que podem ser compreendidas sem a necessidade de um discurso longo.

Cadu Xavier segue uma estratégia diferente. Sua comunicação está fortemente vinculada à identificação com Lula e com o grupo político do PT. O próprio nome eleitoral, “Cadu de Lula”, resume essa associação. Música, cenas de rua e mobilização de apoiadores aparecem com frequência, mas o centro da mensagem continua sendo a ligação com o presidente e com o campo político governista.

A estratégia de Cadu tem uma vantagem. Ele não precisa construir sozinho uma identidade política. Parte dela já vem associada à marca Lula. A questão é quanto dessa identificação nacional consegue ser convertida em uma imagem própria do candidato no ambiente digital.

Álvaro Dias chega ao início da propaganda eleitoral com uma comunicação mais tradicional. Sua presença nas redes é consolidada, com número exponencial de seguidores obtido durante seu período como prefeito de Natal, mas o conteúdo permanece mais concentrado em propostas, críticas aos adversários, experiência administrativa e defesa das realizações de sua gestão. É uma linguagem que pode ganhar força quando ele tiver mais tempo para desenvolver argumentos no rádio e na televisão, mas que encontra mais dificuldade no ambiente dos vídeos rápidos e que, se por um lado busca consolidar a imagem de um candidato experiente como gestor, por outro pode passar a imagem de um político mais ligado ao que chamam a “velha política”.

Robério Paulino trabalha com outra lógica. Mesmo com uma estrutura muito menor, demonstra perceber que as redes exigem linguagem própria. Ele mantém o discurso ideológico do PSOL, mas também recorre a memes, expressões populares da internet e situações visuais. Um exemplo é o vídeo em que usa a expressão “sabor hospital” e dá uma topada na porta do Hospital Municipal de Natal, inaugurado na gestão de Álvaro Dias e ainda sem funcionamento. A cena é uma forma simples de transformar uma crítica política em conteúdo compartilhável. Robério também já utilizou expressões como “farmar aura” para atacar adversários, incorporando ao discurso eleitoral um vocabulário reconhecível pelos usuários das redes.

A diferença entre os quatro está na compreensão da lógica das redes. Allyson transformou a própria imagem em marca eleitoral. Cadu procura associar sua candidatura ao grupo. Álvaro mantém uma comunicação mais próxima da política tradicional. Robério tenta compensar a menor estrutura com criatividade e linguagem nativa das plataformas.

A partir de agora, todos terão também o rádio e a televisão. Allyson terá o maior tempo, com 4 minutos e 8 segundos em cada bloco. Álvaro terá 2 minutos e 23 segundos, Cadu 2 minutos e Robério 27 segundos.

A diferença de tempo será relevante, mas agora os programas podem ser recortados, os ataques poderão virar vídeos e uma frase dita no horário eleitoral poderá ganhar uma segunda vida nas redes. O candidato que entender essa circulação terá duas oportunidades de falar com o eleitor a partir do mesmo conteúdo.

Nas primeiras semanas da campanha, Allyson parece ter levado vantagem justamente por compreender esse mecanismo das redes. A partir de agora, será possível verificar se essa vantagem de comunicação digital se transforma em votos. Pesquisa da Universidade Federal do Paraná aponta que as redes sociais são a principal porta de entrada para informações políticas, mas os eleitores demonstram desconfiança em relação ao conteúdo consumido nelas.

A sorte está lançada.

 

 


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