O economista colombiano Marco Antônio Heredia Viveros foi preso preventivamente pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em Natal, após descumprir medidas protetivas de urgência concedidas à sua ex-mulher, a ativista Maria da Penha Maia Fernandes, e às duas filhas do casal.
A ordem de prisão atendeu a um pedido do Ministério Público do Ceará (MP-CE) e foi expedida no sábado (8) pelo juiz Cesar Morel Alcantara, do plantão judicial. O motivo foi a veiculação de chamadas na TV Record anunciando uma entrevista com Viveros sobre a tentativa de feminicídio ocorrida em 1983. Desde 2024, o investigado estava proibido por decisão da Justiça cearense de divulgar informações do processo ou expor o nome e a imagem das vítimas em mídias sociais e veículos de comunicação.
Além de determinar a prisão, a Justiça ordenou a retirada imediata do ar de todas as chamadas e a proibição da exibição da matéria sob pena de multa diária de R$ 100 mil. A emissora também deve preservar todo o material bruto e documentos ligados à produção do conteúdo. Após a notificação, a TV Record removeu as chamadas das suas plataformas digitais.
Em postagem nas redes sociais, o advogado de defesa, Otacílio Guimarães de Paula, classificou a proibição e a prisão como atos de censura, questionando o impedimento de seu cliente apresentar sua versão dos fatos. A TV Record não se manifestou.
A ação ocorreu dois dias após a Lei Maria da Penha completar 20 anos. Viveros já havia sido preso em 2002 pelo atentado que deixou a ativista paraplégica, cumprindo dois dos dez anos de pena a que foi condenado.