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Estamos sozinhos no universo?

Bastou Steven Spielberg anunciar a estreia de seu novo filme de ficção científica e voltar a falar sobre extraterrestres para que o assunto reaparecesse. Nos últimos dias, vídeos mostrando luzes misteriosas no céu foram registrados no Paraná e até em Ponta Negra. Não faltou quem perguntasse se estaríamos diante de mais um caso de OVNI.

A coincidência é curiosa. Spielberg afirmou recentemente acreditar que não estamos sozinhos no universo e disse conhecer a história do famoso ET de Varginha. Ao mesmo tempo, luzes estranhas voltaram a circular pelas redes sociais. A pergunta surge naturalmente. Existe algo acontecendo ou estamos diante de uma eficiente campanha de divulgação capaz de despertar novamente nossa imaginação?

Não seria a primeira vez.

Muita gente da minha geração cresceu sob a influência de filmes como Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. o Extraterrestre. Antes deles, uma legião de leitores havia mergulhado nas páginas de Eram os Deuses Astronautas?, do escritor suíço Erich von Däniken, leitura quase obrigatória entre muitos jovens ligados à contracultura e aos movimentos alternativos dos anos 1970.

Naquela época, os discos voadores pareciam estar em toda parte. Algumas noites pescando siri a noite em Peruíbe um grupo de jovens (eu no meio) olhava o céu estrelado longe das luzes dos grandes centros em busca de algum contato, já que a cidade carregava a fama de rota preferencial dos visitantes cósmicos. São Thomé das Letras, em Minas Gerais, atraía místicos, aventureiros e bichos-grilos convencidos de que suas montanhas guardavam um portal capaz de atravessar universos e trazer seres de outras galáxias para cá.

Histórias nunca faltavam. Sempre havia alguém que jurava ter visto uma luz diferente, um objeto silencioso ou um movimento impossível no céu.

Eu mesmo nunca vi nada. Nem em Peruíbe. Nem em qualquer outro lugar. Mesmo assim, o assunto jamais perdeu completamente a capacidade de despertar curiosidade. E não por causa dos vídeos, quase sempre inconclusivos, nem pelas fotografias borradas que circulam desde os tempos das máquinas analógicas.

O que atravessa gerações é a pergunta.

Em um universo que abriga bilhões de estrelas e incontáveis planetas, parece difícil acreditar que a vida tenha surgido apenas aqui. Ao mesmo tempo, nenhuma prova definitiva apareceu até hoje para encerrar a discussão.

Ficamos suspensos entre duas possibilidades igualmente impressionantes. A de que somos uma rara exceção cósmica. Ou a de que existe companhia espalhada pela imensidão, ainda distante demais para ser encontrada.

Por isso o tema nunca desaparece. Os filmes mudam. Os livros envelhecem. As luzes misteriosas aparecem e desaparecem. A pergunta permanece e vem de tempos ancestrais. Muito antes do cinema e dos livros nos chamarem a atenção e popularizarem o tema, o homem olha para o céu tentando entender o que está “acima” de nós.

E enquanto permanecer a dúvida, ou melhor enquanto não aparecer algum ET concreto aqui, continuaremos repetindo esse gesto tão antigo quanto a própria humanidade. Em alguma noite de céu limpo, vamos erguer os olhos por alguns instantes e procurar entre as estrelas uma resposta que ainda não temos.

Será que do lado de lá também tem alguém olhando para cima esperando que façamos contato?

 


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