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Eleição proporcional deve ter coeficiente maior no RN

O crescimento do eleitorado do Rio Grande do Norte para as eleições de 2026 deverá fazer crescer o coeficiente eleitoral nas eleições deste ano. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o estado ganhou 105.838 novos eleitores desde o último pleito geral, passando de 2.554.727 eleitores em 2022 para 2.660.565 em 2026, uma alta de 4,1%.

Embora o aumento do número de eleitores não altere automaticamente o coeficiente eleitoral, a tendência é que ele seja elevado caso o crescimento também se reflita na quantidade de votos válidos. O coeficiente eleitoral é obtido pela divisão do total de votos válidos pelo número de cadeiras em disputa e representa a votação necessária para que partidos ou federações conquistem vagas de forma direta.

Na eleição para deputado estadual, em que estão em disputa 24 cadeiras, a projeção é que o coeficiente eleitoral fique entre 88 mil e 90 mil votos, acima do patamar registrado em 2022, quando ficou em torno de 84 mil votos por vaga.

Na disputa pela Câmara dos Deputados, que elege oito representantes do Rio Grande do Norte, a estimativa é de que o coeficiente fique próximo de 260 mil votos, também superior ao observado na eleição anterior.

Na prática, um coeficiente maior significa que partidos e federações precisarão reunir mais votos para garantir cadeiras diretamente. Este ano apenas três chapas concorrem com efetivas chances de eleger federais. A federação formada por PT/PV/PC do B, a Federação União Brasil/PP e o PL. Mas o PSDB também anunciou uma chapa de federal com uma boa distribuição regional dos candidatos e sonha eleger um deputado na sobra.

O coeficiente eleitoral não define sozinho todos os eleitos. A primeira distribuição das cadeiras ocorre pela divisão dos votos obtidos por cada partido ou federação pelo coeficiente eleitoral. Como normalmente nem todas as vagas são preenchidas nessa etapa, as cadeiras restantes são distribuídas pelo sistema das sobras eleitorais.

Em um cenário hipotético com coeficiente de 260 mil votos para deputado federal, uma federação que alcance 780 mil votos conquistaria três vagas diretamente. Outra, com 520 mil votos, faria duas cadeiras, enquanto uma terceira, com 310 mil votos, elegeria um deputado. Das oito vagas disponíveis, apenas seis seriam preenchidas inicialmente.

As duas cadeiras restantes seriam distribuídas pelas regras das sobras eleitorais. Nessa fase, federações que não alcançaram um coeficiente completo também podem conquistar vagas, desde que cumpram os requisitos previstos na legislação. Por isso, legendas com votação entre aproximadamente 180 mil e 250 mil votos ainda podem permanecer competitivas na disputa pelas últimas cadeiras.

Assembleia mais sensível ao coeficiente eleitoral

Se na eleição para deputado federal o cenário tende a ficar concentrado em três grandes forças políticas, a disputa pelas 24 vagas da Assembleia Legislativa apresenta um quadro bem mais aberto. Além das federações lideradas por PT, PV e PCdoB, da União Progressista, formada por PP e União Brasil, e do PL, outras legendas chegam à eleição com potencial de conquistar cadeiras, como o MDB e o PSDB, que optaram por lançar chapas próprias. Partidos menores, como PSOL e PSTU, também devem participar da disputa, embora com menor expectativa de eleger representantes.

Essa maior fragmentação torna a eleição estadual mais sensível ao aumento do coeficiente eleitoral. Com a expectativa de que o índice fique entre 88 mil e 90 mil votos por vaga, as chapas precisarão ampliar a votação para garantir cadeiras na primeira distribuição e chegar em melhores condições à disputa pelas sobras eleitorais.

Na prática, uma federação ou partido que, em outro cenário, conquistaria duas vagas de forma direta poderá depender de um desempenho maior de toda a nominata para alcançar o mesmo resultado. Da mesma forma, uma diferença relativamente pequena na votação total de uma chapa poderá significar a perda ou o ganho de uma cadeira nas últimas rodadas de distribuição.

Outro fator que amplia a competitividade é o número de candidatos com densidade eleitoral espalhados pelas diferentes regiões do estado. Com mais chapas em condições de disputar vagas, o resultado tende a depender menos de grandes puxadores de votos e mais da capacidade de cada legenda distribuir sua votação entre os integrantes da nominata.


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