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Chineses pesquisam scheelita em Angicos

O município de Angicos pode se tornar um novo polo de exploração mineral no Rio Grande do Norte. A Amason Resource Grup do Brasil Ltda., ligada a capital chinês, entrou com pedido de licença prévia para a realização de pesquisa mineral em propriedades rurais da região com foco na scheelita, minério do qual se extrai o tungstênio, metal considerado estratégico pela indústria global.

Os requerimentos envolvem áreas como o Sítio Bom Fim e as fazendas Arizona, Patachoca e Santa Clara. Nesta fase, o objetivo é avaliar o potencial econômico das jazidas, por meio de levantamentos geológicos e testes técnicos, antes de qualquer decisão sobre exploração comercial.

A movimentação ocorre em um cenário internacional marcado pela disputa por minerais críticos. O tungstênio ganhou peso nas cadeias produtivas por reunir características raras, como altíssima resistência e o maior ponto de fusão entre os metais. Por isso, é usado em brocas industriais, equipamentos eletrônicos, componentes aeroespaciais, satélites e itens ligados ao setor de defesa.

A China domina hoje a maior parte da produção mundial do metal e, nos últimos anos, passou a impor restrições de exportação, o que elevou o interesse de grupos empresariais em reservas localizadas fora do território chinês, sobretudo em países com tradição mineral.

No Rio Grande do Norte, a scheelita marcou época. Entre as décadas de 1940 e 1980, o minério impulsionou cidades do Seridó, especialmente Currais Novos, e outras áreas do estado, gerando empregos, renda e forte expansão urbana. O ciclo perdeu força com a entrada agressiva da produção chinesa no mercado internacional, que derrubou preços e tornou muitas minas brasileiras inviáveis.

Também contribuíram para a retração o esgotamento de jazidas superficiais e a necessidade de adequação ambiental de antigas operações. Em várias cidades, estruturas foram abandonadas e milhares de postos de trabalho desapareceram.

Agora, o novo interesse em Angicos sinaliza uma possível mudança de rota. Com preços mais atrativos, demanda crescente e técnicas modernas de prospecção, áreas antes deixadas de lado voltam a ser consideradas economicamente viáveis.

O avanço das pesquisas ainda depende de licenças ambientais, mas já foi concedida o alvará de pesquisa pela Agência Nacional de Mineração, o que coloca o interior em uma rota global que mistura geologia, indústria e geopolítica.

Por que a scheelita voltou a valer ouro

A retomada do interesse pela scheelita no Rio Grande do Norte está ligada a três fatores centrais. O primeiro é a corrida global por minerais estratégicos usados em tecnologia e defesa. O segundo é a concentração da oferta mundial nas mãos da China, o que pressiona compradores a buscar fornecedores alternativos. O terceiro é a evolução dos métodos de pesquisa mineral, capazes de localizar reservas antes ignoradas.

Para o RN, a nova corrida pode representar geração de empregos, arrecadação e reativação econômica em regiões historicamente ligadas à mineração.

 


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