O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 280 milhões para a WEG reformar uma planta industrial e construir, em Itajaí (SC), a maior fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias do país. A iniciativa é vista pelo setor como parte da resposta estrutural ao avanço do curtailment, o corte forçado de geração renovável que tem se intensificado com a rápida expansão de eólicas e solares.
Os recursos serão liberados por meio do programa BNDES Mais Inovação e marcam o primeiro projeto contratado a partir de uma chamada pública voltada à transição energética e à descarbonização, conduzida em parceria com a Finep. O movimento sinaliza a priorização de soluções de flexibilidade do sistema elétrico.
Os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) permitem guardar eletricidade em períodos de excesso de oferta e liberá-la nos horários de maior demanda, funcionando como uma espécie de “reservatório elétrico”. Esses sistemas ajudam a estabilizar as redes, reduzir riscos de interrupções e mitigar perdas associadas à variabilidade das fontes renováveis.
A gestão da intermitência se tornou um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. Em 2025, o curtailment atingiu níveis recordes, especialmente no Nordeste, afetando a rentabilidade de projetos e elevando a percepção de risco regulatório e operacional.
Com a nova fábrica, a WEG terá capacidade produtiva de até 2 gigawatts por ano. As obras devem começar em breve, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027. A unidade deverá gerar cerca de 90 empregos diretos e contará com linhas de montagem automatizadas, robôs móveis autônomos, laboratório de testes e uma subestação própria.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto fortalece a segurança energética, amplia a integração de fontes renováveis e posiciona o país na fronteira da inovação tecnológica.
O avanço ocorre em paralelo à preparação do primeiro leilão federal para contratação de sistemas de armazenamento. O Ministério de Minas e Energia estruturou consulta pública para o certame, que deve contratar baterias para prestar serviços de potência ao ONS, com contratos de 10 anos e início de suprimento previsto para agosto de 2028.
Apesar do avanço, o setor avalia que as baterias, isoladamente, não eliminarão o curtailment no curto prazo. O principal gargalo segue sendo a transmissão, em um cenário de crescimento mais rápido da oferta renovável em relação à capacidade de escoamento e à demanda.
Nesse contexto, a combinação entre baterias, novos leilões de potência e a expansão da malha de transmissão tende a reduzir gradualmente o problema, mas a expectativa é de que o curtailment siga como tema relevante ao longo da segunda metade da década.