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Leilões de energia de 2026 podem destravar novo ciclo de investimentos no RN

Os leilões de energia previstos pelo governo federal para 2026 devem movimentar cerca de R$ 137 bilhões em investimentos em todo o país, segundo estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME). O volume, quase sete vezes superior ao registrado em 2025, reacende expectativas especialmente em Estados com forte vocação energética, como o Rio Grande do Norte, líder nacional em geração eólica e peça chave na expansão do sistema elétrico brasileiro.

A projeção foi elaborada pela EPE a pedido do jornal Valor Econômico e reflete, sobretudo, o acúmulo de demanda reprimida provocado pelo adiamento do leilão de reserva de capacidade, instrumento considerado estratégico para garantir segurança energética. Também entram na conta lotes que ficaram de fora do leilão de transmissão de 2025 e que devem retornar ao mercado no próximo ano.

Do total estimado, R$ 123 bilhões estão associados aos leilões de geração de energia, com destaque para os certames de reserva de capacidade, enquanto R$ 14 bilhões dizem respeito aos leilões de transmissão. É nesse conjunto que o RN desponta como um dos principais beneficiários potenciais, tanto pela concentração de projetos eólicos e solares quanto pelos gargalos históricos na infraestrutura de escoamento da energia produzida no Estado.

No segmento de transmissão, estão previstos dois leilões em 2026, condicionados à aprovação dos estudos técnicos pelo MME. O primeiro, programado para março, deve movimentar cerca de R$ 5 bilhões, enquanto o segundo, em outubro, concentra a maior fatia, com expectativa de R$ 9 bilhões em investimentos. A expansão da rede é considerada essencial para integrar novas usinas renováveis ao sistema, especialmente no Nordeste.

Segundo o presidente da EPE, Thiago Prado, o ciclo de investimentos entre 2023 e 2026 no setor de transmissão pode alcançar R$ 85 bilhões, com geração estimada de 141,7 mil empregos diretos e arrecadação de R$ 16,7 bilhões para o governo federal. Parte relevante dessas obras deve reforçar a confiabilidade do sistema elétrico no Norte e Nordeste, além de ampliar interligações internacionais.

Já os leilões de geração concentram as maiores expectativas do setor. A EPE trabalha com a possibilidade de até quatro leilões de reserva de capacidade em 2026, dois deles já previstos em portaria do MME para março. Esses certames são vistos como fundamentais para garantir potência firme ao sistema, sobretudo em períodos de pico de demanda ou de escassez hídrica.

O leilão de reserva de capacidade, considerado o mais aguardado pelo mercado, deveria ter ocorrido em 2024, mas acabou cancelado após uma série de disputas judiciais e pressões de diferentes segmentos da indústria. A postergação deixou o Operador Nacional do Sistema Elétrico mais dependente de soluções emergenciais, mais caras e menos confiáveis, além de colocar toda a cadeia produtiva em compasso de espera.

Para o Rio Grande do Norte, a retomada dessa agenda representa não apenas novos investimentos, mas também a chance de destravar projetos hoje represados por limitações regulatórias e de infraestrutura. Grandes grupos já sinalizam interesse nos certames, entre eles Engie, Spic, Eneva, WEG, Siemens Energy, Voith e a Âmbar, do grupo J&F.

Também está no radar do governo a realização de um leilão específico para armazenamento de energia, previsto para abril, além da contratação de Pequenas Centrais Hidrelétricas. O modelo, no entanto, ainda enfrenta resistência e risco de judicialização. Especialistas alertam que o ambiente de 2026 será um verdadeiro teste de estresse institucional para o setor elétrico brasileiro.

Para analistas, se o cronograma for mantido, o próximo ano pode marcar uma virada importante e o RN, com sua base instalada robusta e papel central na transição energética, tende a estar entre os protagonistas desse novo ciclo.


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