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Kleber Rodrigues e a construção de um caminho próprio na política do RN

O anúncio do deputado estadual Kleber Rodrigues (PSDB) de apoio à candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), ao Governo do Estado e sua mudança partidária para o PP de João Maia, parceiro de muito tempo, chamou atenção menos pelo gesto em si e mais pelo timing. Allyson sequer assumiu oficialmente que será candidato, mas Kleber decidiu sair na frente, rompendo a lógica tradicional de aguardar sinais mais claros do tabuleiro eleitoral.

O movimento faz parte do estilo político do deputado que costuma ser pragmático, pouco afeito a hesitações e disposto a ocupar espaços, com uma visão no hoje mirando o amanhã. Ao antecipar o apoio quando ainda se comenta sobre uma possível fragilidade na candidatura de Allyson, o deputado Kleber não apenas declara preferência, mas ajuda a quebrar a narrativa de isolamento que vinham colando à possível candidatura de Allyson.

Na prática, o gesto funciona como um sinal verde para outros atores políticos que ainda aguardavam um cenário mais definido para tomar o mesmo rumo. Ao tornar público seu apoio, Kleber contribui para transformar uma candidatura que mesmo liderando as pesquisas era vista como sem estrutura, em um nome efetivamente viável com dimensão estadual e sinaliza para a quebra da polarização entre o candidato petista que vier a ser apoiado pelo governo e o candidato que vier a ser apoiado pelo bolsonarismo, seja o senador Rogério Marinho (PL), seja o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicamos).

O cálculo, porém, vai além da disputa pelo Governo. Parte da base governista, o deputado comunicou à governadora Fátima Bezerra (PT) que irá manter o apoio ao seu governo e a sua candidatura ao Senado e ainda declarou apoio a Zenaide Maia (PSD) na outra vaga ao Senado, sem esperar qual será a decisão final do vice-governador Walter Alves sobre o próprio futuro político ou alianças estaduais.

Essa antecipação tem um efeito relevante: retira Kleber da condição de dependência política em relação ao atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, ao vice-governador Walter Alves, que se comenta irá disputar uma vaga na Assembleia em busca de chegar à presidência da Casa em um acordo com o presidente Ezequiel com quem faria um revezamento na presidência, e ainda se mostra independente em relação ao governismo e ao PT. 

Ao desenhar suas alianças de forma autônoma, o deputado pavimenta o caminho para consolidar seu nome como candidato à presidência da Casa, desta vez sem precisar operar exclusivamente sob a sombra de outras lideranças.

O movimento sugere que Kleber Rodrigues tenta de forma mais clara, construir um projeto político próprio. Ainda que Walter venha anunciar o apoio à Allyson, ele Kleber saiu na frente e espera reciprocidade na Assembleia. Trata-se de uma aposta de médio risco: seu sucesso passa, necessariamente, pelo desempenho eleitoral de Allyson Bezerra. Se o prefeito de Mossoró vencer a disputa, Kleber sai fortalecido para presidir o Legislativo.

Por outro lado, se o resultado das urnas para o Governo do Estado for outro, todo o desenho estratégico precisará ser reconfigurado para costurar uma eleição interna na Casa sem a interferência do Executivo.

Desta vez, Kleber decidiu que não pretende mais ser apenas parte do jogo, mas alguém disposto a influenciar diretamente o rumo da partida.

 


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