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Crise na saúde do RN: hospitais sem insumos e investimento próprio abaixo de 40% dos vizinhos

Ao acionar a Justiça pedindo uma audiência  urgente com o Estado para tratar da grave crise de desabastecimento em hospitais estaduais, o Ministério Público trouxe alguns números que mostram o tamanho do problema e jogam no colo do secretário de Fazenda, Cadú Xavier, pré-candidato do PT a governador, uma bomba para ele se explicar durante a campanha do próximo  ano caso seja mesmo confirmado candidato.

Segundo o MPRN, a crise está ligada a dívidas antigas, que geram falta de credibilidade junto a fornecedores e burocracia nas compras. Mas o problema é mas estrutural e está ligado a queda nos repasses para a Saúde.  Entre o primeiro semestre de 2024 e o mesmo período de 2025, as despesas liquidadas caíram 67,9% e as despesas pagas caíram 68,1%, resultando em um déficit acumulado de mais de R$ 141 milhões no repasse ao Fundo Estadual de Saúde.

Diversas unidades de referência, como o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, o Hospital Dr. José Pedro Bezerra (Hospital Santa Catarina) e o Hospital Geral Dr. João Machado, enfrentam falta de medicamentos, insumos e materiais hospitalares essenciais.

No Hospital Santa Catarina, o desabastecimento chegou a 41% em janeiro de 2025. No Walfredo Gurgel, familiares precisaram comprar luvas, álcool e lençóis para garantir cuidados mínimos aos pacientes. No Hospital Dr. João Machado, a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar chegou a recomendar o bloqueio de leitos caso não houvesse condições mínimas de segurança.

RN investe menos que vizinhos nordestinos

Dados do SIOPS, do Ministério da Saúde, mostram que o RN ocupa atualmente a penúltima posição no ranking nacional de gastos próprios com saúde e é o último entre os estados do Nordeste. Enquanto estados vizinhos como Ceará e Paraíba investiram mais de R$ 1.200,00 por habitante no primeiro semestre de 2025, o RN aplicou apenas R$ 450,00 por habitante,  menos de 40% do investimento  de seus estados vizinhos, um subfinanciamento crônico que faz com que os problemas se acumulem. O próprio secretário de Saúde, Alexandre Mota disse recentemente na Assembleia que o problema agora eclodiu pelo grande valor de Restos a Pagar que foram liquidados este ano. 

Sem mudança, risco de colapso permanece

Sem ajuste fiscal e priorização de recursos, a rede hospitalar continuará vulnerável. A queda de investimentos gera desabastecimento, aumenta a pressão sobre o sistema e compromete a confiança da população e dos fornecedores.

 

 


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