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Enquanto o RN organiza o terreno, Estados vizinhos estão levantando as estruturas do hidrogênio verde

A Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação (RBCIP) viabilizou, em parceria com três empresas e o governo federal, a implantação de uma usina de amônia verde e fertilizantes sustentáveis a partir do hidrogênio verde, no município de Conde, na Paraíba. O projeto receberá mais de R$ 59 milhões do programa Nova Indústria Brasil, além de outros R$ 20 milhões em recursos próprios, e se soma a uma série de iniciativas que começam a sair do papel no Nordeste.

A planta será instalada em uma área de 12 mil metros quadrados e deverá integrar, em até quatro anos, diferentes rotas tecnológicas para a produção de hidrogênio verde, com capacidade anual estimada de 5 mil toneladas de amônia verde e 20 mil toneladas de fertilizantes líquidos. Uma das empresas executoras é a Green World Energy Hydrogen (GWE); as demais não tiveram os nomes divulgados por acordo de confidencialidade. O projeto prevê ainda capacitação de mão de obra local e retorno financeiro estimado em R$ 31,1 milhões anuais a partir do terceiro ano de operação.

O avanço do empreendimento paraibano ocorre em um momento de aceleração da agenda do hidrogênio verde no Nordeste. Estados como Paraíba e Ceará já apresentam projetos com recursos federais contratados, cronogramas definidos e foco em aplicações industriais e logísticas, como fertilizantes, exportação de energia e uso da amônia verde como vetor energético.

Enquanto isso, o Rio Grande do Norte, que reúne condições naturais consideradas ideais para liderar a transição energética, com ampla matriz eólica, expansão da energia solar e localização estratégica para exportação, e foi pioneiro ao aprovar um marco legal específico para o hidrogênio verde, criando regras claras para atração de investimentos, ainda não conseguiu converter esse ambiente institucional em empreendimentos industriais de grande escala.

As iniciativas em andamento permanecem concentradas em projetos-piloto, estudos de viabilidade e propostas estruturantes de longo prazo e vê os vizinhos avançarem para a fase de obras e contratação de recursos, reduzindo o intervalo entre planejamento e execução.

A diferença de ritmo mostra que não basta ter potencial energético ou legislação avançada. Na corrida pelo hidrogênio verde, ganha espaço quem consegue alinhar planejamento, financiamento e execução em prazos compatíveis com o interesse do mercado. O risco para o RN é permanecer como vitrine de oportunidades enquanto os investimentos se consolidam em outros territórios.

Segundo estudo da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), em parceria com o Ministério de Minas e Energia, o hidrogênio verde pode acrescentar R$ 61,5 bilhões ao PIB brasileiro até 2050. O desafio é transformar esse potencial em produção, empregos e cadeias industriais consolidadas.

O que existe hoje no RN em hidrogênio verde

  • Marco legal pioneiro
    O RN foi o primeiro estado do país a aprovar uma legislação específica para o hidrogênio verde e a indústria verde, criando diretrizes regulatórias e incentivos para o setor.

  • Projetos-piloto em andamento
    Parcerias com Petrobras, SENAI e empresas privadas preveem plantas experimentais voltadas à validação tecnológica e ao uso industrial do hidrogênio, como no setor cimenteiro. Nenhuma delas, porém, tem escala comercial.

  • Porto-Indústria Verde
    Projeto estruturante de longo prazo previsto para o litoral potiguar, com foco em exportação de energia limpa e derivados. Ainda depende de definição de investidores e cronograma executivo.

  • Capacitação e estudos técnicos
    Iniciativas para formação de mão de obra especializada e elaboração de atlas e estudos de viabilidade para atrair investidores internacionais.

 


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