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União Europeia aprova acordo com Mercosul

Após mais de duas décadas de impasses, o acordo entre Mercosul e União Europeia atingiu um momento decisivo. As negociações, que se arrastam por mais de 25 anos, buscam integrar dois dos maiores blocos econômicos do mundo sob novas regras comerciais.

Para que o pacto recebesse o sinal verde dos países europeus na última reunião, o sistema de votação exigia uma "maioria qualificada". Esse mecanismo estabelece que a aprovação depende do voto favorável de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros.

Além do número de países, há um critério demográfico rígido: os votos favoráveis devem representar, no mínimo, 65% da população total do bloco europeu, que atualmente é estimada em cerca de 451 milhões de habitantes.

Do ponto de vista prático, o tratado prevê uma abertura de mercado sem precedentes. A União Europeia se comprometeu a eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários oriundos do Mercosul.

Essa medida beneficia diretamente o agronegócio brasileiro, facilitando a entrada de itens como frutas, grãos e café. Entretanto, o acesso não será irrestrito para todos os setores produtivos.

Algumas mercadorias sensíveis serão controladas por "cotas tarifárias". A carne bovina, por exemplo, terá um limite de 99 mil toneladas anuais que podem ser exportadas com redução de impostos; o que exceder esse volume pagará a tarifa cheia.

No setor industrial, a oferta europeia é ainda mais agressiva. O bloco prometeu extinguir 100% de suas tarifas industriais em até dez anos, sendo que 80% dessas taxas seriam derrubadas já no momento em que o acordo entrar em vigor.

O cronograma de desoneração será gradual. Enquanto diversos produtos terão alíquota zero imediata, outros seguirão calendários de transição mais longos, que podem ultrapassar uma década de adaptação.

Para o consumidor brasileiro, o acordo sinaliza uma redução potencial nos preços de produtos europeus clássicos. Itens como azeites de oliva, queijos finos, vinhos e frutas de clima temperado devem se tornar mais acessíveis com o tempo.

A concretização dessa parceria redesenha o fluxo de comércio global, equilibrando a proteção de mercados locais com a necessidade de expansão das exportações sul-americanas em um cenário de alta competitividade.


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