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Um hospital para chamar de seu

A inauguração do novo hospital municipal de Mossoró pelo prefeito Allyson Bezerra, realizada esta semana, ganhou rapidamente uma leitura que vai além da agenda administrativa. No tabuleiro da política potiguar, o hospital mossoroense, entregue e funcionando servirá obviamente para expor o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, caso ele consiga viabilizar sua candidatura ao governo estadual. Inaugurado a dois dias do fim da gestão por Álvaro Dias, o Hospital Municipal de Natal São Padre Pio segue sem atender nenhum paciente mais de um ano depois da posse do atual prefeito Paulo Freire que é aliado de Álvaro por quem foi eleito.

O contraste é inevitável. Enquanto Allyson corta a fita e coloca um hospital em funcionamento, Natal ainda convive com a imagem incômoda de um equipamento hospitalar de grande porte que, embora tenha tido a primeira etapa inaugurada por Álvaro Dias em 30 de dezembro do ano passado, segue sem atender a população. Passado mais de um ano, a obra permanece fechada, alimentando o discurso do “elefante branco” e fornecendo munição fácil para adversários. Em política, hospital fechado é uma narrativa pronta. A comparação entre Mossoró e Natal tende a ser usada de forma didática, quase pedagógica. De um lado, o prefeito que entrega e faz funcionar; do outro, o sucessor que, por decisão política ou incapacidade de gestão, mantém portas fechadas. A imagem fala alto, sobretudo quando o tema é saúde pública.

E o contrário é verdadeiro, se estiver funcionando até o começo da campanha, em julho, poderá ser mostrado positivamente na campanha de Álvaro, ainda que sempre com uma marca da inauguração sem funcionar. Resta saber se o atual prefeito tem interesse nisso.

Mesmo tendo sido o idealizador e responsável pela obra cuja primeira etapa foi entregue com equipamentos e faltando muito pouco para funcionar, especialmente o deslocamento de pessoal, a falta de operação pode ser colada à sua trajetória, especialmente se o debate eleitoral for simplificado para o binômio “quem faz x quem promete”. Em campanhas majoritárias, nuances administrativas raramente sobrevivem ao embate das narrativas.

Em campanha, quem não responde com fatos acaba respondendo com explicações. Vide o caso da pandemia da Covid, enquanto Álvaro fez e colocou para funcionar um hospital de campanha, a governadora Fátima fica o tempo todo se explicando que preferiu investir em melhorar a estrutura dos hospitais existentes para deixar um legado. Não cola, não adianta. O Hospital de campanha, as pessoas viram, muitos foram atendidos e tiveram a vida salva ali. As UTIs que o governo diz que fez não apareceram. Em época de campanha, isso costuma ser um péssimo negócio.


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