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PF volta a atuar no combate à corrupção

Em um intervalo de menos de 48 horas, a Polícia Federal deflagrou operações que atingiram parlamentares e integrantes da administração pública federal ligados a diferentes campos políticos, em ações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal e conduzidas no âmbito de investigações em curso.

Nesta sexta-feira, 19 de dezembro, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e identificados como integrantes da ala mais alinhada ao bolsonarismo no Congresso. As diligências fazem parte da chamada Operação Galho Fraco, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos oriundos de cotas parlamentares, verbas destinadas ao custeio de despesas relacionadas ao exercício do mandato.

A investigação é um desdobramento de apurações iniciadas em 2024 e aponta indícios de que agentes políticos, assessores e particulares teriam atuado de forma coordenada para simular a contratação de serviços, com o objetivo de desviar e ocultar recursos públicos. Entre os crimes investigados estão peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Durante o cumprimento dos mandados no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, a Polícia Federal apreendeu mais de 400 mil reais em dinheiro em espécie na residência do deputado Sóstenes Cavalcante, além de celulares e equipamentos eletrônicos pertencentes aos dois parlamentares, que serão submetidos a perícia. Segundo a PF, parte das suspeitas envolve contratos com empresas de locação de veículos e outros fornecedores que teriam sido utilizados para justificar despesas que não teriam sido efetivamente realizadas.

No dia anterior, quinta-feira, 18 de dezembro, a Polícia Federal havia realizado outra operação de grande repercussão, desta vez no âmbito da Operação Sem Desconto, conduzida em parceria com a Controladoria Geral da União. A ação investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, com prejuízo estimado em bilhões de reais a beneficiários da Previdência Social.

Nessa operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, vice-líder do governo no Senado, além de medidas contra o então secretário executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, que acabou afastado do cargo. As investigações apuram a atuação de servidores públicos e intermediários na inserção de dados falsos em sistemas oficiais para viabilizar os descontos irregulares.

Os alvos das operações se manifestaram publicamente. O deputado Carlos Jordy afirmou que é vítima de perseguição política, negou irregularidades e declarou que os contratos questionados são legais e utilizados por outros parlamentares. Sóstenes Cavalcante, por sua vez, ainda não divulgou nota específica sobre a operação desta sexta-feira, mas já declarou em ocasiões anteriores que não cometeu irregularidades no uso de verbas parlamentares. O senador Weverton Rocha informou, após a operação do dia anterior, que foi surpreendido com a ação e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

 


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Heverton de Freitas