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ONS autoriza cinco data centers que receberão investimentos de R$ 39 bilhões

Na corrida pela criação de uma estrutura de data centers no País, a Dataspots, especializada nesse tipo de infraestrutura, recebeu autorização do Operador Nacional do Sistema (NOS) para a implantação de cinco empreendimentos que receberão investimentos de R$ 39 bilhões. Eles ficarão em São Paulo, Rio, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e têm previsão de ficarem prontos entre 2027 e 2030.

Chamado parecer de acesso favorável, a autorização do ONS é um dos passos mais difíceis para a construção dos data centers hoje. “A solicitação para projetos de data centers explodiu nos últimos anos e chegou à 15 gigas (gigawatts), uma demanda absurda, que o País não suporta”, diz Carla Cassalha, diretora e sócia da Dataspots. “Por conta da nova realidade, o regulador fez uma readequação normativa, mas nossos pedidos que agora foram aprovados são anteriores às mudanças trazidas pela regulamentação 1.122.”

Na prática, isso significa que esses projetos não precisarão dos chamados aportes de garantia financeira, valor cobrado de grandes consumidores de energia para terem acesso à rede a partir da nova regulamentação.

Com isso, os projetos da Dataspots devem se tornar mais atraentes a investidores. A empresa tem conversado com todos os grandes fundos e competidores do setor, desde o ano passado.

Com a autorização dos projetos, que terão carga (consumo previsto) de 650 megawatts, o próximo passo é a assinatura dos contratos de fornecimento de energia com concessionárias e transmissoras e a execução de readequações, para o início das obras civis. De acordo com ela, em algumas regiões os terrenos para o início da construção já foram comprados.

Os locais foram escolhidos com base em diferentes itens obrigatórios, mas os principais norteadores são disponibilidade de energia e conectividade abundante e em redundância. Os projetos autorizados também estão a até 30 quilômetros de capitais e grandes centros, onde estão os usuários dos sistemas.

 “Quando a gente fala em data center hyperscale (de grande porte), significa desenvolvimento para uma região inteira porque todas as grandes empresas precisam de data centers e, quanto mais próximos, mais efetivo é o trabalho”, diz ela. “Quando a gente usa um cartão por aproximação ou assiste à Netflix, por exemplo, e a resposta rápida quer dizer que o serviço está conectado ao data center com baixa latência.” Ou seja, interessa às empresas estarem próximas à infraestrutura, o que tende a atrair investimentos para as regiões.

Recentemente, o ONS negou acesso à rede a projetos de data centers e hidrogênio verde no Porto de Pecém, no Ceará, estimados em R$ 128 bilhões. Motivo: ameaça à estabilidade da rede. Apesar de o País ter energia barata e sustentável, empresas de geração renovável reduziram o ritmo de novos investimentos, à espera de mudanças regulatórias.

O crescimento é impulsionado pela digitalização da economia, o avanço da IA e a demanda por serviços em nuvem. Recentemente, o governo lançou o Plano Nacional de Data Centers com a intenção de atrair investimentos na casa dos R$ 2 trilhões na construção de data centers.

Especializada na identificação e desenvolvimento de áreas estratégicas para a implantação de data centers no Brasil, a Dataspots faz parte do Grupo ON, que reúne sete companhias do setor de energia. Entre elas, a Suna Energy (desenvolvedora de projetos de geração e armazenamento de energia elétrica), a Enliv (gestora de Créditos de Energia de Geração Distribuída) e a Ecotechne (especializados em serviços de engenharia voltados ao mercado de geração e transmissão de energia a partir de fontes renováveis).

Do Estado de S Paulo


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