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Michele ou Flávio? Quem representará a direita em 26?

A direita brasileira fecha 2025 diante de uma disputa que, por enquanto, segue nas entrelinhaa. De um lado, Michelle Bolsonaro amplia sua presença política por meio de uma linguagem religiosa e de mobilização nas redes; de outro, Flávio Bolsonaro foi ungido publicamente pelo pai como “herdeiro” do projeto; e, orbitando a cena, o Centrão e o chamado "mercado" trabalham com a ideia de que a candidatura “viável” é a do governador Tarcísio de Freitas. 

Na noite de 24 de dezembro, Michelle publicou uma mensagem de Natal pedindo “perseverança apesar das traições”, “ainda que venham das pessoas mais próximas”. O texto, com forte tom espiritual, foi recebido em Brasília como um recado dentro de casa. O se que a ex-primeira dama é o nome mais viável eleitoralmente e, portanto, deve ser ela a representante do bolsonarismo.

O vídeo é a reafirmação de uma identidade política própria,  com público cativo, que não depende da engrenagem dos filhos do ex-presidente e foi interpretado como uma possibilidade dela sair em faixa própria, o que não parece viável se não tiver as bênçãos do marido que segue preso e inelegível.

O fato que chamou mais atenção  no entanto, foi que logo na manhã do dia 25 de dezembro, Flávio Bolsonaro leu, diante do hospital DF Star, uma carta manuscrita atribuída a Jair Bolsonaro confirmando o senador como pré-candidato da família para 2026. O gesto ocorreu enquanto o ex-presidente passava por cirurgia de hérnia e, segundo a cobertura internacional e agências, em meio às restrições impostas por sua situação jurídica

Na política, o recado foi entendido como uma resposta ao vídeo da ex-primeira dama e uma tentativa de “bater o martelo” e reduzir espaço para alternativas internas.

O problema para essa linha sucessória é que o apoio do sistema partidário não costuma obedecer apenas à lógica familiar. Lideranças do campo conservador e do Centrão reagiram com frieza à escolha de Flávio e seguem vendo em Tarcísio um nome com melhor capacidade de costura e menor desgaste para dialogar com mercado e partidos. O próprio noticiário registrou que a indicação de Flávio surpreendeu investidores e aliados que esperavam Tarcísio como opção natural. O governador paulista não tem pressa e segue com seu projeto de reeleição dando todas as mostras de que não irá se arriscar sem o apoio explícito do ex-presidente.

No núcleo mais radical do boksonarismo, Tarcísio é visto como o nome do que chamam Sistema, alguns inclusive o rotulam de candidato do Alexandre Moraes, inimigo número 1 dos seguidores de Bolsonaro.

Ou seja, no desenho que se forma, há três vetores competindo pelo mesmo eleitorado:

 • Michelle: aposta na conexão emocional e religiosa, ampliando território próprio na direita e preservando autonomia. 

 • Flávio: tenta converter herança em candidatura com a chancela direta do pai.

 • Tarcísio: é a alternativa do pragmatismo. A direita “institucional” que o Centrão considera mais agregadora. 

No fim, a pergunta “Michelle ou Flávio?” é sobre quem conseguirá unir a direita quando a escolha deixar de ser simbólica e virar matemática de coligação, tempo de TV, palanques estaduais e segurança jurídica. E é exatamente nesse ponto que aparece o nome do senador Rogério Marinho. Bastante próximo a Bolsonaro e nome com livre trânsito no empresariado desde sua atuação na Reforma Trabalhista e na Reforma da Previdência.

 


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