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Linhão saindo do RN pode ser a solução para risco de blecaute

A possível construção de uma linha de transmissão de 2,5 mil quilômetros ligando o Rio Grande do Norte ao Paraná, capaz de ampliar a exportação de energia do Nordeste de 13 GW para 24 GW até 2035, pode ser uma das soluções diante do risco crescente de blecautes no país. O alerta é feito em reportagem do jornal Valor Econômico, que analisa os impactos da rápida expansão da energia solar sobre a segurança do sistema elétrico.

Segundo o consultor Edvaldo Santana, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e colunista do jornal, o Brasil pode enfrentar ainda no primeiro trimestre de 2026 um novo episódio semelhante ao ocorrido no Dia dos Pais de 2025, quando a combinação de alta geração solar e baixo consumo levou o sistema a operar no limite, com risco real de apagão.

O problema se intensifica em fins de semana e feriados, quando a demanda cai. Desde meados de dezembro, a geração solar tem superado diariamente a produção das hidrelétricas, ao mesmo tempo em que o consumo diminuiu com a desaceleração típica do fim de ano.

A matriz elétrica brasileira já soma mais de 60 GW de energia solar instalada, grande parte proveniente da micro e minigeração distribuída. Dados da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) indicam que o segmento fechou o ano com 43 GW e pode chegar a 50 GW em 2026.

Em dias de menor consumo, a solar chega a responder por cerca de 60% da carga, enquanto parte das usinas não pode ser desligada, como a geração nuclear e térmicas inflexíveis. Com isso, sobra pouco espaço para as hidrelétricas, elevando o risco operacional.

Para Santana, “não escaparemos de pelo menos um dia como o Dia dos Pais”. O ex-diretor-geral do ONS Hermes Chipp afirma que o operador dispõe de medidas emergenciais, como cortes de geração e flexibilização temporária de restrições operativas, em articulação com a Aneel.

Entre as soluções estruturais, além da nova linha de transmissão a partir do RN, estão a maior flexibilidade na operação das hidrelétricas, mudanças regulatórias, a descentralização da gestão da rede e a adoção de sistemas de armazenamento. O primeiro leilão de baterias do país está previsto para 2026.


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