Hermano moraes.jfif

Hermano irá comunicar apoio à Allyson e saída do PV

A política do Rio Grande do Norte começa a entrar, de fato, no modo pré-campanha, e o principal movimento do momento mostra que a perspectiva concreta de poder em torno de uma eventual candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União) ao Governo do Estado vem rompendo o isolamento político que adversários tentaram lhe impor para forçar uma polarização antecipada.

Depois de Kleber Rodrigues (PSDB), outro sinal claro desse rearranjo vem do deputado estadual Hermano Moraes, que irá comunicar hoje à governadora Fátima Bezerra que deixará o PV para voltar ao PMDB, e ser o candidato a vice-governador na chapa com Alyson e com isso transferir suas bases eleitorais para o vice-governador Walter Alves, fortalecendo o MDB e consolidando a aproximação do partido com o projeto liderado por Allyson.

O movimento amplia um arco de alianças que já vinha se formando. Allyson conta hoje com o apoio do PP do deputado federal João Maia, do União Brasil, ainda que o prefeito de Natal, Paulo Freire, tenha outros compromissos, do PSD da senadora Zenaide Maia e agora do MDB. Juntos, esses partidos garantem capilaridade eleitoral e um tempo de televisão competitivo, desmontando a tese de que o prefeito mossoroense estaria politicamente isolado.

Esse crescimento expõe a dificuldade do governo em fechar a porteira. Caso queira insistir em um candidato próprio ao Governo do Estado, será necessário impor unidade a uma base cada vez mais dispersa. Missão complicada num cenário em que a governadora Fátima Bezerra, focada na disputa pelo Senado, não demonstra disposição para fechar questão quando, mesmo os que anunciam o voto em outro candidato a governador, mantém o compromisso do voto nela para o Senado.

Do outro lado do tabuleiro, a direita também se movimenta. O campo conservador tem hoje dois nomes colocados: o senador Rogério Marinho (PL) e o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos), com Rogério exercendo, na prática, a liderança desse bloco.

O avanço de Allyson começa a preocupar a direita, que corre para evitar que também nesse campo haja migração de apoios, especialmente entre lideranças pragmáticas e grupos municipais atentos à viabilidade eleitoral, já que há uma certa desconfiança de que Rogério será mesmo candidato diante das narrativas de que ele irá coordenar a campanha para Presidência pela proximidade que tem com o ex-presidente Bolsonaro, o que lhe cacifaria para disputar mais uma vez a presidência do Senado.

Rogério Marinho promete um ato quinta-feira para consolidar seu espaço e estancar possíveis perdas, enquanto Álvaro Dias aparece como alternativa, mas com menor capacidade de comando sobre o conjunto das forças políticas. O resultado é um cenário em que a polarização entre PT e PL poderá dar lugar a uma terceira via que deve agregar mais apoios na medida em que apareça como uma candidatura efetivamente viável.

 


Notícias relacionadas

Mais lidas

Perfil

Foto de perfil de Heverton Freitas

Heverton de Freitas