A semana termina com um acontecimento que pretende mudar os rumos da política nas eleições do próximo ano.
Um jantar na casa do co-presidente da recém fundada federação União Progressista (PP e União Brasil), Antonio Rueda, com 109 deputados e 15 senadores, reuniu os caciques de todos os principais partidos do centrão. A pauta do encontro foi a construção de um projeto eleitoral para 2026 sem Lula ou Bolsonaro.
Participaram expoentes tanto da oposição quanto da base do governo. Entre eles, Valdemar Costa Neto, presidente do PL de Jair Bolsonaro, e os presidentes do MDB e do PSD, Baleia Rossi e Gilberto Kassab, partidos que aderiram ao governo Lula logo após sua eleição em 2022. Ciro Nogueira, do PP, e Marcos Pereira, do Republicanos, também estiveram presentes.
O que o centrão sonha é em montar logo uma chapa com o governador paulista Tarcisio de Freitas a frente, o nome preferido do empresariado brasileiro, e um nome do centrão para vice.
Na saída do encontro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, chegou a afirmar que haveria um acordo entre os partidos que se possível sairiam logo juntos com uma chapa só ainda este ano. Se não, cada um lançava sua candidatura com o compromisso de um apoio entre o candidato deles que for para o segundo turno contra Lula.
Caiado, um dos pré-candidatos é do União Brasil, Tarcísio de Freitas está filiado ao Republicanos.
Além dos presidentes de partidos, estiveram presentes 12 governadores, todos de oposição. Entre eles, três pré-candidatos ao Planalto: Tarcísio, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
É um grupo muito forte e que patina em meio a polarização. Mas, assim como o pessoal da Faria Lima, sonha em ver Bolsonaro logo fora da parada para se firmar como alternativa a Lula que segue por enquanto liderando as pesquisas de intenção de voto e que só não será candidato se tiver algum problema de saúde pela frente. Tanto assim que faz questão de postar nas redes sociais imagens dele fazendo exercícios físicos e de subir a rampa interna do Palácio do Planalto correndo para mostrar que está preparado e com saúde para a disputa.
A revelação dos áudios encontrados no telefone de Jair Bolsonaro mostra como a família do ex-presidente tem horror a Tarcísio de Freitas e deverá tentar emplacar um nome familiar para a disputa presidencial.
O fato é que o Centrão tenta isolar a oligarquia Bolsonaro embora o PL fique na dependência do ex-presidente já que o presidente da sigla já afirmou que ele é quem tem votos. O que Valdemar da Costa Neto é deixar Bolsonaro com os votos desde que continue comandando o gordo Fundo Partidário da legenda.
O encontro também teve a presença de um antigo aliado e hoje crítico de Lula. Ciro Gomes, do PDT, partido com programa de centro-esquerda, participou da reunião. Internamente, o PDT está dividido sobre manter ou não a proximidade com o Planalto. Ciro foi o principal articulador da ruptura da bancada pedetista na Câmara com a base governista.
O jogo é bruto.